Refugo, há algum tempo - como o cavalo Baloubet du Rouet, de Rodrigo Pessoa - a escrever algumas “idéias” neste espaço. Mas a Copa do Mundo me fez reservar um tempo e escrever. Gostaria de falar sobre dois assuntos, o já famoso “Torcedor de Copa” e o verdadeiro significado de Pátria.
Torcedor de Copa é aquele que aparece de quatro em quatro anos, normalmente vestido com as cores de nossa bandeira, sempre carregando um “componente”, como uma peruca, corneta, confete, bandeira, cara pintada e outros apetrechos. Já durante a escalação ele pergunta onde esta o Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho ou o Imperador Adriano, e fica indignado ao saber que estes jogadores não fazem mais parte da equipe canarinho. Alguns, mas experientes na função de torcedores de copa perguntam até de jogadores que não estão mais em atividade (cadê o Romário?!?!?). No decorrer do jogo consegue enervar os bons amantes do futebol, pois sempre vem com idéias erradas (para não dizer cretinas), querendo trocar Michel Bastos (lateral esquerdo) por Nilmar ou Grafite (atacantes), e quando você pede que explique, taticamente, como ficaria o time com suas “geniais” modificações, ele não tem idéia do que você esta falando. Acredita também que a entrada de mais um volante ou lateral apenas torna o time mais defensivo (conceitos como "overlapping", ponto futuro ou polivalência não existem para estes torcedores). E ficar a seu lado nos lances “perigosos”?!?!?!? Bola batida perto da bandeira de escanteio é como se tirasse tinta da trave; falta na lateral de campo e eles querem pênalti; o jogador passo do meio de campo e eles gritam: “chuta, chuta!”; mesmo depois das três substituições eles persistem: “por que não entra fulano ou beltrano?”. Três bolas na trave contam um gol???
O segundo assunto é um pouco menos engraçado, porém bem mais valoroso. Como você define pátria e patriota??? Veja, segundo o dicionário:
PÁTRIA, s. f. País em que se nasce; província, cidade, vila ou aldeia natal; terra dos pais
PATRIOTA, s. Pessoa que ama a pátria e deseja servi-la.
Este assunto se deve ao fato de meus amigos e amigas sentirem-se “incomodados” por eu dizer que não torço pela Seleção Brasileira. Vale ressaltar que em 94, com 12 anos, sofri muito pela Seleção de Parreira e me tornei um dos fãs incondicionais de Romário e do futebol defensivo, de resultados. Gosto de ver meu time jogando bem, porém mais do que isto, gosto de vê-lo campeão. Em 98 torcia pela Seleção também, mas ai surgiu para mim o maior jogador que vi jogar, em minha época, e em ação... Zinedine Yazid Zidane.
Desde lá acompanho os jogos, mas não sinto “vontade” de torcer. Não torço contra, apenas não torço a favor!
Como amante do futebol, não consigo vê-lo apenas no campo, durante 90 minutos, portanto considero muitas coisas para estas decisões/sentimentos, que vão desde os roubos da Confederação Brasileira de Futebol, até a enganação ao povo brasileiro, que quando vence leva a falsa impressão que tudo esta ótimo. Torci contra a candidatura do Brasil para sede da Copa de 2014, da mesma maneira que como SÃO-PAULINO FANÁTICO sempre fui contra o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, nosso Morumbi, ser “utilizado” na Copa do Mundo.
Se sou patriota? Depende, pois amo meu país e sempre defendo-o, exercendo meus direitos de cidadão e colaborando com meus deveres (por exemplo, votando em todas as eleições), mas se ser patriota significar ser um “torcedor de copa”, não sou e com muito orgulho.
PS: se jogador guerreiro ganhasse jogo a China e o Japão seriam os maiores campeões do mundo.
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