Durante os Jogos de Tokyo, muito se tem falado das reações
de diversos atletas, como Medina (surf), Djokovic (tênis) e Biles (ginástica). Apesar
de ser fácil opinar, acredito que somente atletas sabem de fato, o que outro
pode estar passando.
O lema olímpico - "mais rápido, mais alto, mais
forte" é de 1894, porém, vamos falar sobree os Jogos de 1936, quando no
salto com vara – que tinha regras diferentes das atuais – um estadunidense sagrou-se
campeão, deixando um compatriota e dois japoneses disputando prata e bronze. Na
continuidade das disputas, somente os dois japoneses avançaram, continuando empatados.
A organização decidiu que eles fariam um salto extra, para desempate,
porém, os atletas, decidiram ficar empatados e, como não havia duas medalhas iguais,
ficou a critério do Japão a decisão, que apontou, por análise de tentativas e
erros, as colocações.
Mas os atletas – atores principais do espetáculo – não concordaram
e, retornando a terra natal, decidiram cortar ambas as medalhas e forjar duas
novas, metade de prata e metade de bronze.
Já em 2004, em Atenas, o maratonista Vanderlei Cordeiro de
Lima, liderava a prova, no 36km – com o ouro encaminhado, quando um ex-padre
irlandês, Cornelius Horan, furou a segurança, entrou na pista e agarrou o
brasileiro, jogando-o para o local designado aos torcedores. Vanderlei perdeu a
vantagem de quase 1 minuto que tinha e, com esforço, chegou ao Estádio Olímpico
na terceira posição, com um largo sorriso no rosto, para surpresa geral e
aplausos efusivos da plateia, que viu Vanderlei cruzou a linha de chegada
comemorando e fazendo “aviãozinho”, uma de suas marcas registradas.
Pelo espírito esportivo, o COI entregou a honraria a
Vanderlei a única Medalha Pierre de Coubertin do Brasil, honraria que somente
18 atletas no mundo possuem, por demonstraram em suas ações o grau máximo de
espírito olímpico.
Por fim, no Rio, em 2016, em um choque acidental, com dois
terços da prova feminina dos 5 mil metros percorridos, as atletas Nikki Hamblin
e Abbey D"Agostino foram parar ao chão. Ao perceber que a rival não levantou
Abbey ajudou-a a recomeçar a corrida, dizendo “"Levante-se. Temos que
terminar isso". Hamblin, chorando, recomeçou a correr quando D"Agostino
cedeu e caiu, queixando-se do joelho.
Aí foi a vez de Hamblin parar e ajudar. Ambas terminaram a
prova, nas duas últimas colocações, porém, por decisão da organização, foram “classificadas”
para final do evento como reconhecimento por seus espíritos olímpicos.
No final sempre haverá os medalhistas, mas o que fica
marcado para a história e que toca as pessoas são os gestos inesperados de
ajuda, amizade e superação. Este é o verdadeiro espírito olímpico!