segunda-feira, agosto 02, 2021

O que é o “Espírito Olímpico”?

Durante os Jogos de Tokyo, muito se tem falado das reações de diversos atletas, como Medina (surf), Djokovic (tênis) e Biles (ginástica). Apesar de ser fácil opinar, acredito que somente atletas sabem de fato, o que outro pode estar passando.

O lema olímpico - "mais rápido, mais alto, mais forte" é de 1894, porém, vamos falar sobree os Jogos de 1936, quando no salto com vara – que tinha regras diferentes das atuais – um estadunidense sagrou-se campeão, deixando um compatriota e dois japoneses disputando prata e bronze. Na continuidade das disputas, somente os dois japoneses avançaram, continuando empatados.


A organização decidiu que eles fariam um salto extra, para desempate, porém, os atletas, decidiram ficar empatados e, como não havia duas medalhas iguais, ficou a critério do Japão a decisão, que apontou, por análise de tentativas e erros, as colocações.

Mas os atletas – atores principais do espetáculo – não concordaram e, retornando a terra natal, decidiram cortar ambas as medalhas e forjar duas novas, metade de prata e metade de bronze.

Já em 2004, em Atenas, o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, liderava a prova, no 36km – com o ouro encaminhado, quando um ex-padre irlandês, Cornelius Horan, furou a segurança, entrou na pista e agarrou o brasileiro, jogando-o para o local designado aos torcedores. Vanderlei perdeu a vantagem de quase 1 minuto que tinha e, com esforço, chegou ao Estádio Olímpico na terceira posição, com um largo sorriso no rosto, para surpresa geral e aplausos efusivos da plateia, que viu Vanderlei cruzou a linha de chegada comemorando e fazendo “aviãozinho”, uma de suas marcas registradas.

Pelo espírito esportivo, o COI entregou a honraria a Vanderlei a única Medalha Pierre de Coubertin do Brasil, honraria que somente 18 atletas no mundo possuem, por demonstraram em suas ações o grau máximo de espírito olímpico.

Por fim, no Rio, em 2016, em um choque acidental, com dois terços da prova feminina dos 5 mil metros percorridos, as atletas Nikki Hamblin e Abbey D"Agostino foram parar ao chão. Ao perceber que a rival não levantou Abbey ajudou-a a recomeçar a corrida, dizendo “"Levante-se. Temos que terminar isso". Hamblin, chorando, recomeçou a correr quando D"Agostino cedeu e caiu, queixando-se do joelho.

Aí foi a vez de Hamblin parar e ajudar. Ambas terminaram a prova, nas duas últimas colocações, porém, por decisão da organização, foram “classificadas” para final do evento como reconhecimento por seus espíritos olímpicos.

No final sempre haverá os medalhistas, mas o que fica marcado para a história e que toca as pessoas são os gestos inesperados de ajuda, amizade e superação. Este é o verdadeiro espírito olímpico!

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