domingo, julho 18, 2021

Cuba, uma ilha caribenha

Nos últimos dias Cuba esta nos noticiários, seja pela manifestação dos que pedem o “fim da ditadura”, seja pelos que “apoiam a revolução”. Pensei, durante toda semana, em escreve sobre o assunto, mas minha maior preocupação era (e ainda é!) em falar de um tema que conheço por meras leituras e opiniões, me sentindo assim sem crédito para uma real avaliação.

Decidido a escrever, busquei rever alguns livros sobre o tema, assim como materiais de cursos realizados. Dentre todas as consultas, Frei Betto foi quem mais me chamou a atenção, pois a mais de 40 anos frequenta a ilha caribenha com certa frequência, além de ter atuado, por exemplo, na retomada do diálogo entre bispos católicos e o governo de Cuba, e trabalhar, como contratado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na implementação do Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional em Cuba. 

Existem muitos questionamentos à Revolução, bem como a população tem enfrentado grandes dificuldades, sendo a maior crítica a “ausência” da democracia. Por outro lado, no país não há miséria, mendigos, crianças abandonadas ou famílias debaixo de viadutos. Como bem colocou Frei Betto em um de seus trabalhos, 

(...) se você é rico no Brasil e for viver em Cuba conhecerá o inferno. Ficará impossibilitado de trocar de carro todo ano, comprar roupas de grife, viajar com frequência para férias no exterior. E, sobretudo, não poderá explorar o trabalho alheio, manter seus empregados na ignorância, “orgulhar-se” da Maria, sua cozinheira há 20 anos, e a quem você nega acesso à casa própria, à escolaridade e ao plano de saúde.

Se você é classe média, prepare-se para conhecer o purgatório. Embora Cuba já não seja uma sociedade estatizada, a burocracia perdura, há que ter paciência nas filas dos mercados, muitos produtos disponíveis neste mês podem não ser encontrados no próximo devido às inconstâncias das importações.

Se você, porém, é assalariado, pobre, sem-teto ou sem-terra, prepare-se para conhecer o paraíso. A Revolução assegurará seus três direitos humanos fundamentais: alimentação, saúde e educação, além de moradia e trabalho. Pode ser que você tenha muito apetite por não comer o que gosta, mas jamais terá fome. Sua família terá escolaridade e assistência de saúde, incluindo cirurgias complexas, totalmente gratuitas, como dever do Estado e direito do cidadão.

Sobre a Democracia - aquela nascida na Grécia, onde poucos mil habitantes possuíam milhares de escravos - em Cuba, o país tem seu sistema eleitoral, diga-se de passagem, similar ao da China e, sendo este um dos motivos do embarco, porque não “embargar” a potência asiática? E porque não levar a democracia ao Haiti? A democracia não é assegurada pela rotatividade eleitoral, mas sim pela partilha econômica, do contrário Brasil e a Índia, países democráticos, não teriam miséria, pobreza, exclusão, opressão e sofrimento.

Aos que não compreendem como milhares de cubanos defendem a Revolução, é preciso conhecimento histórico de Cuba pré-1959 para compreender como Fidel teve apoio popular, na época em que o país era conhecido como o “prostíbulo do Caribe”. Aproveite e veja como a cidade de Las Vegas “cresceu” após os estadunidenses perdem a ilha caribenha.

Creio que o embargo, situação única no mundo (só existe ditatura em Cuba?) se deva, primeiramente, ao inconformismo (tipo “dor de corno”) dos EUA em “perder” a ilha, primeiro aos revolucionários, depois para URSS. É inadmissível para uma superpotência sofrer os revezes que sofreu. Lembremos que 1992 em diante, a Assembleia Geral da ONU vota esmagadoramente pelo fim desse bloqueio.

Cuba é uma ilha com poucos recursos. O bloqueio sempre lhe sufocou, o que se agravou com o governo Trump (que implementou 43 novas medidas) e a pandemia, que zerou uma das principais fontes de recursos do país, o turismo. Segundo dados estatísticos, Cuba perdeu entre abril de 2019 e março de 2020 5 bilhões de dólares em comércio potencial devido ao bloqueio; 144 bilhões de dólares nas últimas seis décadas.

Por fim, tenho uma teoria que, se os EUA realmente desejam “acabar” com a Revolução, deveriam simplesmente findar o bloqueio e deixar que o capitalismo destrua o que a ilha possui, ou alguém tem dúvida que o sistema financeiro teria esse poder?

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