No último dia 9 de julho, dia de comemoração da tentativa e golpe paulista de 1932, percebi que não tenho mais trabalhos escolares/universitários para produzir, portanto, para estimular a escrita, resolvi voltar a escrever sobre assuntos cotidianos.
Para iniciar, nada melhor que a final da Copa América, entre Brasil e Argentina, no Maracanã, vencida pelos hermanos.
Vi e ouvi muitos comentários e indagações pelo fato de brasileiros não terem torcido pela seleção de seu país. Eu mesmo torci pela Argentina, o que, registra-se, é bem diferente de torcer “contra” o Brasil.
No meu caso, sempre gostei do futebol argentino por diversos motivos, que vão desde esquemas táticos, forma viril de jogo (futebol não é ballet) até o estilo de jogadores como Fernando Redondo ou Gabriel Batistuta, com suas vastas cabeleiras. Somando-se a isso meu descontentamento com a seleção brasileira nas últimas duas décadas, a escolha foi simples (lembro-me da Copa de 90, mas sem sentimentos; 1994 foi o auge entre eu e a seleção; 1998, a decepção da derrota – sabendo que ela aconteceu em campo, sem teorias da conspiração (!); 2002 a decepção pela não convocação de Romário e o início do distanciamento; 2006 e a cena “ridícula” de quarteto/quinteto mágico; 2010 um pouco de simpatia, pelo plantel mais cascudo; 2014 sem sentimento algum, apenas aproveitando os dias de jogos para divertir-se com os amigos; 2018 idem a 2014).
Resolvi então colocar-me na "balança" me tentar avaliar qual é a relação entre eu torcer pela seleção e poder ser categorizado como “patriota”?
Segundo o dicionário, patriota é “aquele que ama a pátria e a ela presta serviços”. Já pátria tem, dentre outros significados, “país em que se nasce e ao qual se pertence como cidadão”; “parte do país em que alguém nasceu; terra natal”; “a terra paterna”; “lugar considerado como o melhor.”
Lendo as definições acima, ficou fácil eu me considerar patriota (mesmo sem torcer pela seleção), afinal de contas eu gosto muito do Brasil, como país (diferente de muitos torcedores verde-amarelos, nunca me passou pela cabeça deixar país, pois acredito que ele é um dos melhores lugares do mundo para se viver).

Pesando um pouco mais, e numa relação com “prestar serviços”, creio que, por exemplo, ter saído candidato a vereador no mandato coletivo da Educação, nas eleições de 2020, sem ter nada a ganhar (vencendo, poderia ter um rendimento financeiro melhor, porém, quem me conhece, sabe que mesmo sendo um profissional competente, sou favorável ao ócio e não tenho apreço pelo trabalho e por ganhos financeiros) e muito a perder (muito trabalho na campanha, desgaste interpessoal – inclusive em casa, estigmatização no trabalho) parece me colocar mais próximo do patriotismo do que torcer por a seleção que representa uma instituição privada (CBF), que ganha milhões de dólares, enquanto nossos clubes nacionais sofrem financeiramente, com presidentes historicamente envolvidos em escândalos financeiros e até crimes sexuais e que tem, como ídolo máximo, um jogador que é condenado por sonegação de imposto e acusado de crimes sexuais.
Pensando ainda mais, chega ser cômico que o motivo de aceitar a candidatura tenha sido poder representar e, minimante, dar voz, a muitos que pensam que usar a camisa da seleção, e torcer por Neymar Jr, seja uma ação patriótica.
Por fim, aos jogadores que parecem querer dividir a derrota em capo com os torcedores contrários), fica a dica: se o número de torcedores favoráveis à seleção influenciasse no resultado, a seleção chinesa era campeã do mundo.
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