Texto um pouco "antigo", que escrevi em Janeiro de 2003, mas que voltou a mim a poucos dias, então resolvi dividi-lo com vocês, ainda mais após uma semana tão especial/cruel para o surf mundial, com a perda de Andy Irons e o Decacampeão Kelly Slater.
"Uma das analogias mais perfeitas sobre a vida humana compara-se a uma onda. Ela pode ser uma pequena reverberação na água parada ou um enorme e retumbante tsunami. Pode ser uma confusa massa d’água em forma de espuma, despencando desordenadamente, ou um bem desenhado cilindro esvaindo-se com perfeição simétrica. Pode ser grande ou pequena, curta ou longa, leve ou pesada, transparente, translúcida ou oca, opaca, cheia ou estreita, boa ou ruim... mas não importa como ela é, pois todas tiveram algo em comum: um tímido início em algum lugar distante, um crescimento gradual e ritmado no infinito aberto do mar e, finalmente, um momento de ápice, seguido de um despencar definitivo após o qual nada sobra.
Todas as ondas (como a vida) passam para eternidade, ao passo que algumas quebram no mesmo local onde, por um breve momento, cada uma ocupou aqueles poucos metros na superfície Terra, onde pode se erguer para seu momento maior. Ninguém se lembrava de uma onda. Quando ela quebrava, ela quebrava e pronto. Alguns a admiravam, outras as respeitavam. Existe até aqueles que as detestavam, profundo aborrecimento... mas ninguém se lembrava de uma onda, até que vieram os surfistas, e a analogia “onda e vida”, “vida com onda” ou “onda tendo vida” se encaixou com perfeição, pois os surfistas começaram a fazer algo que ninguém faz. Os surfistas começaram a se lembrar das ondas! Talvez não de todas. Talvez não da maioria. Mas ao menos de algumas. E os surfistas não só começaram a se lembrar das ondas em si, mas também dos rastros que faziam nelas. E tal como a analogia de onda com a vida, os surfistas começaram a fazer analogia de seus rastros.
As linhas que faziam nas ondas eram suas próprias vidas. Com início, meio e fim, por certo, até que desapareciam quando a onda se esvaia na areia. Mas um início, meio e fim diferentes. Um percurso que, quando ideal, era glorioso, momento máximo da integração, auto conquista e domínio. Um caminho com o supremo êxtase que vem da consciência da própria essência. Moldando o corpo e traçando as linhas numa intima expressão pessoal. Desenhando traços numa tela móvel só com o leve equilíbrio do corpo e a dosagem perfeita da velocidade. Misturando as forças da natureza com seus matizes, para num breve momento fazer parte de outra, a onda, na qual se encaixe e deixe levar. Por fim, o surfista se retira, levando com sigo sua linha num “grã-finale” momentâneo que inclui, geralmente, sua assinatura pessoal. E quando a onda é boa, ou quando a vida é boa, os surfistas fazem, de forma diferente, o que todas deveriam fazer. Eles se lembram das ondas..."
"Uma das analogias mais perfeitas sobre a vida humana compara-se a uma onda. Ela pode ser uma pequena reverberação na água parada ou um enorme e retumbante tsunami. Pode ser uma confusa massa d’água em forma de espuma, despencando desordenadamente, ou um bem desenhado cilindro esvaindo-se com perfeição simétrica. Pode ser grande ou pequena, curta ou longa, leve ou pesada, transparente, translúcida ou oca, opaca, cheia ou estreita, boa ou ruim... mas não importa como ela é, pois todas tiveram algo em comum: um tímido início em algum lugar distante, um crescimento gradual e ritmado no infinito aberto do mar e, finalmente, um momento de ápice, seguido de um despencar definitivo após o qual nada sobra.Todas as ondas (como a vida) passam para eternidade, ao passo que algumas quebram no mesmo local onde, por um breve momento, cada uma ocupou aqueles poucos metros na superfície Terra, onde pode se erguer para seu momento maior. Ninguém se lembrava de uma onda. Quando ela quebrava, ela quebrava e pronto. Alguns a admiravam, outras as respeitavam. Existe até aqueles que as detestavam, profundo aborrecimento... mas ninguém se lembrava de uma onda, até que vieram os surfistas, e a analogia “onda e vida”, “vida com onda” ou “onda tendo vida” se encaixou com perfeição, pois os surfistas começaram a fazer algo que ninguém faz. Os surfistas começaram a se lembrar das ondas! Talvez não de todas. Talvez não da maioria. Mas ao menos de algumas. E os surfistas não só começaram a se lembrar das ondas em si, mas também dos rastros que faziam nelas. E tal como a analogia de onda com a vida, os surfistas começaram a fazer analogia de seus rastros.
As linhas que faziam nas ondas eram suas próprias vidas. Com início, meio e fim, por certo, até que desapareciam quando a onda se esvaia na areia. Mas um início, meio e fim diferentes. Um percurso que, quando ideal, era glorioso, momento máximo da integração, auto conquista e domínio. Um caminho com o supremo êxtase que vem da consciência da própria essência. Moldando o corpo e traçando as linhas numa intima expressão pessoal. Desenhando traços numa tela móvel só com o leve equilíbrio do corpo e a dosagem perfeita da velocidade. Misturando as forças da natureza com seus matizes, para num breve momento fazer parte de outra, a onda, na qual se encaixe e deixe levar. Por fim, o surfista se retira, levando com sigo sua linha num “grã-finale” momentâneo que inclui, geralmente, sua assinatura pessoal. E quando a onda é boa, ou quando a vida é boa, os surfistas fazem, de forma diferente, o que todas deveriam fazer. Eles se lembram das ondas..."
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